domingo, 15 de janeiro de 2012

Musica nacional.

Percebi que não entendo nada mesmo das musicas nacionais, ou de algumas que estavam nas 100 mais do vagalume. Eu estava vendo o Silvio Santos e tive uma ideia: se a gente, para aprender língua estrangeira também ouve as músicas que tocam por lá, por que não aprender o que o povo brasileiro diz usando as músicas compostas por gente daqui? Talvez até dê para não ficar perdida nas conversas e entender o idioma que essa gente fala, um português meio confuso...
Não é bem assim.
A música "Humilde residência", de Michel Teló, por exemplo. Poderíamos pensar que se trata de alguém de fato humilde, e não pobre. Cogitar até mesmo uma simplicidade voluntária, o que seria um ato de nobreza. Mas não.

Vamos aos fatos:
"Vou te esperar aqui, mas vê se atende o telefone mesmo se for a cobrar".
De imediato pensei: "que cara folgado!!!", se quer tanto assim falar com a pessoa em questão, põe créditos, ao menos.

"Hoje eu não vou sair porque meu carro ta quebrado e eu não to podendo gastar"
Consertar um carro gasta muito dinheiro mesmo, mas dá para sair de casa, seja de mototáxi ou mesmo andando, seja humilde. Se o carro estivesse bom, colocaria gasolina?

"Quando chegar aqui, me dê um grito lá na frente, eu vou correndo te buscar"
Eis uma frase bonitinha.

"Não tem ninguém aqui, mas vou deixar a luz acesa."
Ele vai ou não ficar esperando? É um tipo de realidade alternativa o tal "esperar aqui" do começo?

"Já te passei o celular e o endereço, aquele dia que te vi sair de casa"
Se ele só pode ir à casa dela de carro, como é que alguém se dispõe a pegar um número de celular e um endereço de alguém que passa de carro e para, de repente, na sua frente? Suspeito.

"Eu to ligado que você sempre me deu uma moral, até dizia que me amava"
Uma outra frase bonitinha. Poderia explicar a situação constrangedora citada acima.

"Agora ta mudada, se formou na faculdade"
Realmente, quem estuda níveis superiores passa a enxergar a realidade de modos diferentes que antes.

"No meu cursinho não cheguei nem na metade"
Agora percebe-se que o cara é um perdedor. Alguém pode ser pobre e estudar muito.

"Você ta muito diferente, eu vou atrás, você na frente"
Ela pareceu mudada para ele, mas foi ele quem não conseguiu acompanhar.

"To louco pra te pegar"
Apesar de tudo, ele está a fim dela.

"Vou te esperar na minha humilde residência"
Outra vez ele confunde humildade com pobreza e, assim, ao querer engrandecer a sua condição usando uma palavra que não condiz com a música, podemos deduzir que ele não é humilde, é pobre. Uma pessoa pode ter posses e um caráter humilde.

"Pra gente fazer amor"
Crescei e multiplicai-vos, se achar divertido. Seja livre para o que bem entender.

"Mas eu te peço só um pouquinho de paciência"
Hum.

"A cama ta quebrada e não tem cobertor"
Use a imaginação, eu sei que o eu-lírico consegue. A propósito, em dias normais ele deve dormir com o colchão de espuma no chão e se cobrir com jornal.

Eu tento entender, mas esse tipo de letra não me envolve, eu não me identifico. Vou dar uma olhada nas outras e ver o que encontro.


sábado, 3 de setembro de 2011

Sem título, não faço idéia ainda.

Eu quase nunca escrevo coisas boas aqui, deve ser porque não percebo que elas existam, ou não noto com tanta frequencia... É mais fácil notar aquilo que está habituado, notar aquilo que vive do que uma novidade quando surge. E a novidade dessa fez foi ter me sentido feliz.

Um dia, minha irmã não pode pegar o onibus comigo, fui sozinha e lá eu encontrei um amigo dela que acabou virando conhecido meu também. Bem, o negócio é o seguinte: eu consegui manter uma conversa por cerca de 25 min. Tá certo que a gente tava falando de filmes que estão no cinema e que foi um tema relativamente fácil para mim, eu dei algumas derrapadas, como um silêncio bem mudo e esqueci de falar sempre olhando para ele, mas eu me senti bem, deu tudo certo e não pareci distante. Chegando em casa, quando percebi e pensei: consegui manter uma conversa! deu vontade de pular em tudo e andar na ponta dos pés...

Outro dia, na hora do almoço, eu e minha irmã fomos ao shopping porque ela queria ver o namorado dela. Eu nunca sei se vou junto porque aprendi que não se pode sair só 1 + um par de namorados, o tal "segurar vela". Lá, o namorado dela me apresentou um moço que trabalha com ele, dizendo que ele queria me conhecer (? - sei lá se era isso). Como sempre, não consegui olhar para ele e, após um oi bem rápido, cada um tomou o seu caminho. Eu gostei de ter sido apresentada a um rapaz. Eu acho que os meus amigos não me apresentavam a rapazes porque não sabiam que eu gosto de homem. Eu acho que agora eles já perceberam que sou hetero.

Outra coisa, eu percebi que as pessoas a minha volta estão me tratando como ser humano e não me vendo por meio de parâmetros "o que a Aline faz ou deixa de fazer". A sensação de felicidade é tao nova para mim que demorou para nomeá-la. Eu acho que nunca tinha me sentido feliz antes por causa de pessoas. Eu vou prestar mais atenção agora, talvez há meses ou ano que tentam se aproximar de mim, mas eu que, de tanto ouvir merda por 26 anos, não percebi os acontecimentos destes períodos mais recentes. E está acontecendo tanta coisa que só sei, mas não faço idéia do que sejam.

Eu queria morar sozinha. Agora deve ser com outro motivo, não sei bem ao certo. Antes, eu via meu futuro sobrevivendo entre as pessoas de dia e passando momentos "divertidos" com elas e, a noite, prestando atenção no que eu gosto, na minha propria vida, sem ninguém me dizendo o que é socialmente aceito, se eu quiser "aprender" ocarina e fazer barulho, que seja por diversão... se eu quiser subir em tudo e até pelas paredes porque me sentirei bem, que eu faça. Mas, hoje, não sei como pensar sobre morar sozinha, qual é o motivo. Eu acho que não vou precisar tanto assim de um refúgio.


sábado, 13 de agosto de 2011

Me responde uma coisa...

por que é que "todo mundo" faz sexo mas a ordem é falar do mesmo sussurando? Todo mundo fala por meias palavras, fazendo uso de gestos, gírias, olhares e expressões... por que é que algo tão normal deve ser visto e comentado escondido? Assim não tem como entender com clareza quando alguém comenta, e o que falta no assunto é clareza.
Pela forma que fui apresentada ao sexo comentado pelas pessoas a minha volta, pareceu-me que prefeririam me ver violentada do que de fato amando alguém. Se for para transar só para sentir o corpo quente, ligeira falta de ar, o coração acelerado e os músculos se contraindo, eu posso muito bem sentir isso sozinha. A minha dúvida é: como reconhecer que há um ser humano que está interessado por mim. Talvez eu tenha, sem querer, dispensado vários rapazes interessados e interessantes justo porque eu não consegui ler os rostos deles.
Motivo ideal para que as pessoas se divirtam me humilhando.


A propósito, eu só senti que meus pais existiam há um tempinho atrás. Sentir, porque saber, todo mundo sabe. Sentir que eles são humanos assim como você, e não como coisas para interagir. Será que o próximo passo é sentir que um amigo existe, e não só saber?
Sabe... uma coisa que sempre ouvia na minha adolescência era: "aaahrr, olha as outras meninas!?!?!?" O que esqueceram de me falar era: olha o quê, especificamente falando, e em qual delas? Foi só na faculdade que um amigo perguntou: "por que é que você não faz as sobrancelhas igual a da Alessandra?". Vocês não fazem idéia de como eu fiquei feliz depois de uns dias. Prestaram atenção na frase? Ele disse o o quê, do quem! Ele foi extremamente preciso e especifico no que falou. Ele pode até não se lembrar do ocorrido, mas ficou aqui dentro.
Outra coisa, outra pessoa. De uns tempos pra cá ele so conversava comigo sobre trabalho e, de vez em quando, bem de vez em quando, sobre relacionamentos. Um dia em que eu me senti bem confortável foi quando ele começou a perguntar sobre o que eu gostava e falava: "você gosta disso né? E faz isso também." O que ele estava me falando era sobre as comunidades que tenho no orkut, sem me dizer que era de lá. Ele não estava me forçando de modo algum a pertencer a um grupo específico, ou ter um gosto específico porque era o certo a ser feito. Ele simplesmente viu a pessoa que estava dentro de mim, com seus gostos proprios, e que tem o direito de viver sua vida. Ele não me forçou a nada, a responder nada que eu não quisesse e ainda viu a minha pessoa.

Faz tempo que a gente não se fala mas eu acho que, depois de sentir que os pais existem, eu devo sentir que os amigos existem de fato. Quanto tempo vai demorar para eu reconhecer o rosto de um provável namorado, eu não sei, mas eu não quero ser obrigada a nada só porque é o certo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O mundo precisa de terapia


Coisa difícil que eh essa tal experiencia chamada de "vida". O que me impede de entende-la é a socialização, ou a falta dela. Não entendo o que é desejar a presenca do próximo tantas e tantas vezes seguida. Nem mesmo o porque de as pessoas forçarem a si próprias a fazer algo que as porventura desagrada. Ao menos isso era antes.
Nesta semana, a minha irmã e eu comecamos a conversar sobre ir ao cinema. Meu desejo mesmo era de ir para fugir um pouquinho da vida real e viver uma fantasia por duas horas, onde tudo acaba direito, como deve acabar. Foi quando ela comentou que eu não gostava de comédia romântica. Isto é verdade, e eu expliquei que não conseguia relacionar os personagens com a vida. É ficção, não existe. Ela retrucou calma que então era mais fácil para eu me identificar com os super-heróis (!?). Pensando bem, isto está mais do que certo.
Quem não sabe viver deve aprender como se vive, aprender repetidamente como diz "bom dia", como deve sorrir naturalmente para a foto, e, principalmente, que as pessoas existem, que tem vontade próprias, e que fazem as coisas que fazem porque gostam. Essa foi a parte mais dificil de aceitar. Toda vez que ouvia uma conversa sociável, entre conhecidos proximos ou amigos, eu me perguntava como é que uma pessoa pode se obrigar a agir assim. Pois não é possível que tenham tanto gostos estranho todos juntos e ao mesmo tempo... Quando a minha irmã disse sobre os filmes eu notei que ela realmente percebia a comédia romântica como parte da experiência social e real.
Fazendo um paralelo, a musica sertaneja fala quase que exclusivamente de amor. Mas o que é amor? O que faz uma pessoa ser tão dependente da outra a ponto de se anular? Ouvindo essas musicas eu me sentia em uma prisão. Aliás, eu não entendia era nada.
Hoje, eu não sei como me veio uma resposta sobre amar. É sobre amar uma coisa, mas já é um começo. Volta e meia, em casa, eu abraço um livro que ensina a pintar, ou pego em um lápis, como se dissesse para eu mesma que "um dia...". Eu não poderia viver sem desenho, sem meus cacarecos, só que ainda não há a oportunidade. O que me resta é esperar. Sabe, é uma sensação esquisita, de que aquilo me completa e que preenche um vazio enquanto ainda tenho uma esperança de continuar aqui. Eu consegui racionalizar o sentimento de amor, e assim dá para ter uma base de como que é. Mesmo meus instrumentos sendo coisa, eu já sei que posso sentir, que esta função do ser humano não está anulada em mim.
Agora eu creio que será mais suportável a menção deste assunto. As pessoas realmente gostam de sertanejo, já que as letras das canções estão intrínsecas na vida de quem escuta. O que posso dizer é que se trata de uma cultura exótica.

sábado, 25 de setembro de 2010

Pesquisa eleitoral

Você acredita que nunca alguém me perguntou nada a respeito de quem eu escolhi como candidato para qualquer coisa??? Ou melhor, ninguém de algum órgão de pesquisa, porque os conhecidos perguntam entre si, mas, isso não tem caráter estatístico. Você conhece algum sortudo? Aquele que já respondeu a esta pergunta? Se eles fazem a pesquisa com 1.000 eleitores e o Brasil tem muito mais de 1.000.000, com certeza o resultado não abrangerá todas as regiões e opiniões.

Uma listinha de candidatos a presidência em 2010 (em ordem alfabética):
  1. Américo de Souza (PSL)
  2. Dilma Rousseff (PT)
  3. Ivan Pinheiro (PCB)
  4. José Maria Eymael (PSDC)
  5. José Serra (PSDB)
  6. Levy Fidélix (PRTB)
  7. Marina Silva (PV)
  8. Mário de Oliveira (PTdoB)
  9. Oscar Silva (PHS)
  10. Plínio Sampaio (Psol)
  11. Rui Pimenta (PCO)
  12. Zé Maria (PSTU)
São 12 canditatos!!! E quantos você conhece?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Categoria da Vez

Esses dias atrás eu estava procurando por um filme. Estava olhando a parede, mais precisamente os dvds que estavam sobre as tábuas pregadas na parede, e me deu vontade de ver um filme que falasse de alguém estranho ou comum, que fosse para algum lugar comum ou estranho. Ou seja, alguém que sofresse uma espécie de choque cultural ou coisa assim. Eu percebi que tenho vários, como por exemplo: Elvira, Footloose, Para Wong Foo obrigado por tudo Julie Newmar (eeee nomão), A Noiva Cadáver, Howard - the duck, Planeta dos Macacos, Mestres do Universo (He-man, lembrou?), A nova onda do Imperador, Harry Potter.... No meio desses estava lá o Matador em Conflito (Grosse Pointe Blank, 1997).
Eu gosto desse filme porque ele é uma comédia romantica doida. Não é só mais uma história bonitinha, tem um quê a mais. O protagonista é alguém estranho que participa de um evento comum. Bem, como a versão em português do nome já diz, Martin é um matador em conflito consigo mesmo, tanto que procura um psicólogo para encontrar um rumo para a sua vida, bem como para entender um mesmo sonho que ele tem, há mais de 10 anos, sobre uma paixão dos tempos de colégio.

Esse é o nosso cara, Martin Blank. Ele é o primeiro da lista de "homens bonitos mas impossíveis de se ter"

Logo no início do filme ele recebe um convite para a festa de 10 anos de formatura e é chamado para participar de uma espécie de sindicato de matadores. Ele se recusa a participar de ambos, mas um último trabalho o leva à cidade em que cresceu. Ele se vê entre seus antigos colegas e as compreensíveis perguntas: "o que você andou fazendo esse tempo todo? 10 anos!!!", além do fato de que a sua namorada e par do baile, que foi largada de repente bem no dia da formatura quer fazê-lo pagar as suas contas, ao vivo, na rádio em que trabalha.

É um bom filme para ver hoje, só que eu já o vi ontem e anteontem. Aliás, eu não sei porque eu vejo tantas vezes um mesmo filme no mesmo mês. Foi quando eu resolvi mudar. Hoje passei para uma outra categoria, a de filmes que tem pessoas que chocam, um complemento da categoria acima. Entre elas, as melhores estão na Família Addams. Não aqueles filmes bonitinhos feitos no fim do século. Eu falo da série de tv, que, em minha opinião, foi a melhor adaptação dos quadrinhos do meu querido Charles Addams.

Esse é o cara que gostava de passear em cemitérios porque lá era tranquilo.

Pouca gente percebe que eles são uma família comum, que se gosta e se protege. O incomum é o gosto desta família. Eu sou flexitariana, mas, por exemplo, se eu fosse para a China, experimentasse um espetinho de grilo, gostasse e quisesse trazer este hábito para a minha casa aqui no Brasil, eu o faria. Sendo assim, eu teria um gosto incomum para o meu país, mas que foi adquirido justo por ter a mente aberta a novidades.

Sobre os filmes em que a gente torce para o vilão, isto é, mais precisamente ao anti-herói, eu diria que o melhor é Mamãe é de Morte. Em seguida, A Noiva de Chucky. Tem também o Ladrão de Casaca, de Alfred Hitchcock. Mamãe é de Morte fala sobre uma dona de casa que deseja ter tudo na mais perfeita ordem e classe. Ela ameaça por telefone uma mulher que nao foi gentil com ela no trânsito, mata outra que não rebobinou a fita que pegou na locadora de seu filho, mata um casal que não escova os dentes (nota-se que seu marido é dentista e que o casal era cliente), entre outros. Sempre sendo distinta e educada. A Noiva de Chucky é apaixonante. Um casal de assassinos que estão unidos por motivos opostos. Ela deseja reatar um amor, ele quer apenas sair do corpo do boneco. Finalmente, Ladrão de Casaca fala sobre uma série de roubos que indicam que um ladrão está de volta à ativa, O Gato, mas, o que pouca gente sabe, é que ele não está fazendo absolutamente nada de errado: é outra pessoa que se passa por ele. Ele faz de isca as joias que uma recém conhecida herda da mãe, com o intuito de provar sua inocência, capturando o impostor.

Hoje à noite vou ver A Noiva de Chucky. É muito meigo vê-los falando em francês. Minto. Relendo o texto, deu vontade mesmo é de ver, pela terceira vez consecutiva, Matador em Conflito. Isso me fez lembrar aquela vez em que eu passei um mês inteiro ouvindo uma única música, mas isso fica para outra história.